11 de outubro de 2017

Respeite as Vagas Exclusivas

(

A paz de uma consciência tranquila


Vejo cair por terra pessoas que se dizem boas, fazendo coisas horríveis.  Quando nós nem fazemos intencionalmente somos terrivelmente cobrados. E mesmo assim seguimos em paz porque estamos fazendo a nossa parte. Pessoas com índole duvidosa agindo sem escrúpulos e praticando atos injustos e perversos. Ao mesmo tempo, essas pessoas jamais terão uma consciência tranquila  de pessoas felizes - Ah, pessoas felizes não fazem maldade, não pegam o que não é delas.  Prefiro ser injustiçado do que praticar a injustiça. Prefiro ter pouco, mas ser meu, e pagar as minhas contas em dia, sem ter lesado ninguém por isso. Pois para pessoas sem caráter algum, nem todo dinheiro do mundo é suficiente para compensar a sua total falta de caráter e tapar a sua face. Para ser feliz basta ter tão pouco, que mesmo que a vida mudar e esse pouco virar o muito que ainda não se possa ter, mesmo assim continua a ser digno e feliz do mesmo jeito. Dessa terra, nada levaremos e - de nada adianta as cifras, as roupas, absolutamente nada que possamos levar a não ser os sentimentos que plantamos nas pessoas e levamos conosco. Ninguém escapa do inevitável. Ninguém.  A felicidade está nas coisas mais simples que dinheiro algum é capaz de comprar. E é possível sim estar em paz consigo mesmo, com a consciência intacta mesmo que se afaste de pessoas tóxicas e que coloquemos elas em seus devidos lugares pois a bondade jamais deve ser confundida com ser tolo. É possível respeitar as escolhas e até as atitudes das pessoas - em silêncio e mantendo distância pois cada um é responsável por aquilo que planta, e mais ainda por aquilo que irá colher.
Tudo de ruim que acontece nos abre o olho para outra possibilidade. E percebemos que isso foi o melhor a ter acontecido.

(Adriana Silva)

O outro lado que ninguém conta...


Esse rótulo de que nós mães de Pessoas com Deficiência ou com Síndrome Rara somos guerreiras e fortes, ou mães especiais me incomoda um pouco. Antigamente eu escrevia  que minha filha é especial, mas antes de qualquer coisa ela é uma pessoa e eu apenas uma mãe.

Mãe com algumas rotinas a mais. Mas mãe. Mãe como qualquer outra que luta por seu filho, que tem suas imperfeições, limitações também. Empoderam tanto o fato de sermos mães de nossos filhos que fico com uma impressão de que temos que provar a todo momento que nossos filhos são capazes e felizes e que somos abençoadas, fortes, lutadoras, como se tudo tirasse de nós o direito de reclamar, de ficar cansadas, de não sentir nada, de não ficar doentes, melancólicas de vez em quando com tanto desgaste devido a tanta coisa pra fazer. O termo especial é lindo, mas dá impressão que quando atribuído a nós mães é como se fossemos mulher maravilha sem direito a fraquezas.

Eu não sinto necessidade de ter que provar às pessoas a felicidade que habita a minha casa,  e a minha intenção é apenas compartilhar. Não sinto necessidade de dizer que a minha filha é feliz, que ela faz isso ou aquilo. Não me incomodo mais com muita coisa sabe porque? Porque nenhuma  pessoa que me deu uma opinião negativa, um olhar que fala mais do que mil palavras me ajudou a fazer um décimo do que ela necessita em seu dia a dia. E mesmo que ajudasse, ninguém sabe como é estar na pele do outro.

Ninguém comenta sobre o outro lado. Quando por ventura a gente passa por algo e comenta algo, vejo respostas como se aquilo que estamos sentindo fosse algo pequeno. Quantas vezes passei por coisas SOZINHA porque eu sabia que não podia contar à NINGUÉM. Ninguém entenderia! 

Se você diz: Estou cansada, lá vem a resposta: - Você é guerreira! 
Se você diz que está com dor:  - Ah, você é forte! 
Se você reclamar de algo da vida: Ah, frescura, tenha Fé em Deus!
Sentimentos são frescura?
Sentir dor é proibido?
Ficar doente é crime?
Cadê a preocupação com o bem estar das mães?
Por que no lugar dos questionamentos não há humanidade e amor? 
Por que na maioria das vezes algumas pessoas que lidam com nós mães agem feito robôs e acham que também somos máquinas?

Antes de cobrarmos menos preconceito do mundo, mais postura inclusiva, mais oportunidades aos nossos filhos, precisamos ter em mente que nossos filhos são extensões de nós certo? Então, por qual motivo separam eles de nós quando algo dá errado e não somos a perfeição que tanto idealizam? 

Não podemos cobrar que o mundo olhe com mais amor para nossos filhos, se não mostramos às pessoas que é preciso amor , educação e respeito para toda e qualquer pessoa.  Ao invés de criticar oferecer ajuda. Ao invés de apontar dedos abraçar. O mundo seria perfeito. 

Precisamos que nos olhem como seres humanos e não como super heroínas ou coitadinhas. Que enxerguem em nós pessoas e não uma guerreira com uma missão a cumprir.

Não adianta cuidar apenas dos nossos filhos... É preciso mais delicadeza, humanidade e amor ao lidar com uma mãe. Dentro de cada uma há sentimentos, emoções, dificuldades, tristezas, e é claro muitas alegrias... Mas que fique bem dito que todas nós temos aqui dentro um coração e não somos máquinas, que podemos sim cansar e nem por isso estaremos pecando. Cada um sabe dentro de si o que é amor, o que é dor. 

Adriana 

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